
O aumento de ataques cibernéticos à cadeia de suprimentos é uma das grandes preocupações para a segurança cibernética em 2025. Estima-se que esses ciberataques direcionados possam custar à economia global impressionantes US$ 80,6 bilhões anuais até 2026, de acordo com dados da Juniper Research.
Por essa razão, proteger os dados compartilhados entre parceiros e fornecedores é essencial para reduzir vulnerabilidades e evitar que cibercriminosos explorem brechas na cadeia de suprimentos.
Neste artigo abordaremos as estratégias para identificar, avaliar e mitigar riscos de segurança na cadeia de suprimentos, proteger dados sensíveis compartilhados entre parceiros e fortalecendo a resiliência da sua empresa.
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O que é a cadeia de suprimentos e por que ela é um alvo?
A cadeia de suplementos ou supply chain, é o conjunto de processos, recursos, parceiros e tecnologias que trabalham de maneira integrada para produzir e entregar bens ou serviços ao consumidor final. Ela inclui fornecedores, fabricantes, distribuidores, transportadores e qualquer entidade envolvida no ciclo de produção e entrega.
Quando falamos de tecnologia, a cadeia de suprimentos também envolve componentes digitais, como software, infraestrutura de TI e serviços na nuvem. Devido a essa complexidade, essa estrutura está na mira dos atacantes digitais, podendo ser explorada através:
- Dos fornecedores ou parceiros, que representam diferentes pontos de entrada.
- Do compartilhamento de dados sensíveis como propriedade intelectual, credenciais e dados financeiros.
- Da ausência de maturidade em cibersegurança, através das vulnerabilidades em sistemas.
- Da exploração do alcance da cadeia e ampliando os danos em diversas empresas.
Um exemplo foi o ataque ocorrido contra a SolarWinds em 2021, onde os atacantes comprometeram um fornecedor de software confiável para atingir milhares de empresas e órgãos governamentais em todo o mundo.
Principais riscos e vulnerabilidades na cadeia de suprimentos
Como já mencionado, a estrutura da cadeia de suprimentos é particularmente vulnerável a riscos digitais devido à sua complexidade, ampla interconectividade e a presença de múltiplos componentes. Essa rede, que frequentemente inclui fornecedores, parceiros e softwares de terceiros, apresenta diversos pontos de fragilidade.
Entre os riscos mais críticos estão as vulnerabilidades de software, como exploits de zero-day e erros de configuração. Além disso, a falta de controles de segurança nos fornecedores é um problema recorrente, pois muitos deles não seguem práticas robustas de cibersegurança, criando uma porta de entrada para ataques direcionados.
Outro fator preocupante é a transferência inadequada de dados sensíveis, como informações financeiras ou propriedade intelectual, que muitas vezes não são devidamente protegidas ao transitar entre parceiros. Essa fragilidade expõe a cadeia de suprimentos a acessos não autorizados a sistemas interconectados, possibilitando que atacantes se movam lateralmente e comprometam várias entidades ao mesmo tempo.
Estratégias para identificar, avaliar e mitigar riscos na cadeia de suprimentos
Garantir a segurança cibernética da cadeia de suprimentos exige ações práticas e estruturadas. Nesta seção, apresentamos estratégias essenciais para identificar, avaliar e mitigar riscos relacionados a fornecedores e parceiros.
1. Due Diligence em fornecedores
Antes de firmar qualquer contrato, é crucial que a empresa realize uma avaliação detalhada da maturidade de segurança cibernética dos fornecedores. Isso pode incluir:
- Questionários de avaliação de segurança personalizados para identificar práticas de proteção de dados, histórico de incidentes e conformidade com padrões de mercado, como o NIST Cybersecurity Framework ou a ISO 27001.
- Ferramentas para avaliação de risco, como softwares que identificam automaticamente as vulnerabilidades e expõem possíveis brechas de segurança em sistemas de terceiros.
- Buscar fornecedores que possuam certificações relevantes, como ISO 27001 ou PCI-DSS, pode reduzir riscos significativos.
2. Contratos com cláusulas de segurança cibernética
Se você deseja proteger à cadeia de suprimentos, precisa estabelecer contratos que incorporem requisitos claros de segurança cibernética, como uma medida preventiva. Tais contratos precisam considerar:
- Cláusulas de segurança específicas, como o uso de criptografia, controle de acesso e práticas de backup regulares em todos os processos críticos.
- A inclusão de métricas de desempenho relacionadas à cibersegurança, como tempos máximos para resposta e resolução de incidentes.
- A previsão da realização de auditorias regulares nos sistemas e práticas de segurança do fornecedor para verificar conformidade.
3. Monitoramento contínuo de vulnerabilidades
Mesmo após a contratação, o acompanhamento contínuo é essencial para mitigar novos riscos à medida que surgem. Algumas práticas recomendadas incluem:
- Utilizar soluções de análise contínua que rastreiem vulnerabilidades conhecidas, como scanners de rede ou sistemas de gerenciamento de patches.
- Adotar serviços que forneçam informações em tempo real sobre ameaças emergentes, permitindo antecipação a possíveis ataques.
- Exigir relatórios regulares dos fornecedores, detalhando incidentes, medidas de mitigação e classificação geral da segurança.
Essas ações práticas permitem que sua empresa fortaleça seus relacionamentos com fornecedores, reduzindo significativamente a exposição a ataques cibernéticos e garantindo a continuidade dos negócios de forma mais segura.
As medidas que você viu até aqui são apenas parte de um cenário complexo que exige profissionais preparados. Nossos cursos e treinamentos oferecem a base necessária para aplicar essas práticas no dia a dia corporativo.
Utilizando o Framework NIST no fortalecimento da resiliência da cadeia
O Framework de Cibersegurança do NIST (National Institute of Standards and Technology) é uma ferramenta amplamente reconhecida, que orienta organizações no gerenciamento de riscos cibernéticos, incluindo os associados à cadeia de suprimentos. No contexto da crescente sofisticação dos ataques direcionados a esse setor, o framework se destaca por oferecer uma abordagem com padrões, diretrizes e práticas recomendadas que auxiliam empresas a melhorar seu gerenciamento de riscos de segurança cibernética.
O framework é baseado em cinco funções principais — Identificar, Proteger, Detectar, Responder e Recuperar — que podem ser aplicadas diretamente ao gerenciamento de riscos da cadeia de suprimentos:
Identificar: essa etapa envolve mapear todos os ativos, processos e fornecedores críticos da cadeia. Aqui pode ser estabelecida a criação de um inventário detalhado de todos os terceiros que acessam dados sensíveis ajuda a determinar os pontos mais vulneráveis.
Proteger: já essa etapa envolve a implementação de medidas de segurança, como autenticação multifator, criptografia de dados e restrição de acessos. Um exemplo prático é exigir que os fornecedores sigam políticas claras e bem fundamentadas de segurança antes de integrar seus sistemas à cadeia.
Detectar: refere-se ao monitoramento constante para identificar ameaças ou comportamentos anômalos. Ferramentas como SIEM (Security Information and Event Management) podem ser usadas para detectar atividades suspeitas em tempo real.
Responder: aqui, o foco é planejar e executar ações rápidas em caso de incidentes e outros eventos de segurança cibernética. Um exemplo seria ter um plano de comunicação preparado para alertar parceiros e mitigar o impacto de um ataque em cadeia.
Recuperar: por fim, essa etapa envolve restaurar sistemas afetados e implementar melhorias para evitar ataques futuros, gerando resiliência cibernética. Investir em backups seguros e atualizações frequentes de software são exemplos dessa etapa.
Um exemplo prático da aplicação do framework NIST está no setor de saúde, onde o framework tem sido usado para assegurar que dados de pacientes compartilhados com fornecedores sejam devidamente protegidos contra vazamentos e acessos não autorizados.
Ao adotar o framework, as empresas podem transformar um ambiente complexo e interconectado em um ecossistema resiliente, preparado para enfrentar as ameaças da cadeia de suprimentos de forma sistemática e eficiente.
Resiliência na cadeia de suprimentos
Adotar uma abordagem proativa no gerenciamento de riscos não é apenas uma recomendação, mas uma necessidade em um cenário onde ataques podem causar efeitos em cascata devastadores. Investir em tecnologias robustas, na capacitação contínua dos times de TI, Infraestrutura de Redes e Segurança da Informação, realizar auditorias regulares e implementar as práticas apresentadas são passos cruciais para proteger dados da sua empresa e assegurar a integridade das suas operações.
Agora é o momento de agir. Avalie os riscos da sua cadeia de suprimentos e implemente as ferramentas e estratégias certas para fortalecer sua resiliência.
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