Perigo Mora ao Lado: O Fator Humano na Segurança Cibernética e a Nova Era das Fraudes Digitais
Redação CECyber25 de agosto de 2026
Por Bruno Macena – Chief Information Security Officer (CISO) | Global Advisory Board Member for Incident Handling at EC-Council
A era digital trouxe benefícios inegáveis, mas também expôs indivíduos e organizações a riscos cibernéticos crescentes. Embora firewalls avançados, autenticação multifator e criptografia robusta sejam implementados para mitigar ataques, o fator humano permanece a principal vulnerabilidade (Ponemon Institute, 2018).
As fraudes digitais e os ataques cibernéticos modernos não dependem apenas de técnicas sofisticadas de hacking, mas também da manipulação psicológica por meio de engenharia social, deepfakes e inteligência artificial (IA). O que torna essa ameaça ainda mais perigosa é que qualquer pessoa pode ser um alvo, independentemente da função ou cargo.
A Fragilidade Humana como Superfície de Ataque
De acordo com o Ponemon Institute (2018), 64% das ameaças internas são causadas por negligência de funcionários ou contratados. Isso significa que a maioria dos incidentes não resulta de ações maliciosas deliberadas, mas sim de erros humanos, descuidos e exploração emocional por cibercriminosos.
O CERT Insider Threat Center identifica três perfis principais dentro das organizações:
Grupo de Alto Risco (10% a 20%) – Indivíduos propensos a fraudes devido a motivações financeiras, emocionais ou circunstanciais.
Grupo de Baixo Risco (60% a 80%) – Profissionais com ética sólida, mas vulneráveis à manipulação por engenharia social, phishing e roubo de identidade.
Grupo Intermediário (10% a 20%) – Funcionários que podem ser influenciados por pressões externas, ambientes tóxicos ou falhas na cultura organizacional.
Mesmo indivíduos com baixo risco de comportamento fraudulento podem, inadvertidamente, comprometer informações críticas. O uso de deepfakes, IA generativa e técnicas avançadas de phishing tornam essa exploração ainda mais eficiente e difícil de detectar.
A segurança cibernética não é apenas um problema técnico – é uma questão comportamental e estratégica.
Mesmo com firewalls avançados e IA defensiva, o elo mais fraco continua sendo o ser humano. Pequenos descuidos, como clicar em um link suspeito ou confiar em uma identidade falsa, podem levar a perdas financeiras e reputacionais irreversíveis.
Se a tecnologia avança, as estratégias de segurança precisam acompanhar. Empresas que investem em cultura organizacional forte, conscientização e monitoramento proativo estarão um passo à frente na guerra contra fraudes e ataques cibernéticos.
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Referências
Ponemon Institute. (2018). The True Cost Of Insider Threats Revealed. Disponível em: https://www.ponemon.org
Cressey, D. R. (1973). Other People’s Money: A Study in the Social Psychology of Embezzlement.