O modelo tradicional de segurança digital, ancorado em barreiras de borda e testes esporádicos, tornou-se insuficiente para conter o avanço do ransomware (sequestro de dados) moderno. Para a CyberGate, a proteção de dados em ambientes de nuvem exige uma mudança de paradigma: substituir a defesa estática pelo gerenciamento de exposição contínua de ameaças (CTEM, na sigla em inglês) e pela fragmentação extrema das redes.
A estratégia busca interromper o chamado “efeito dominó”. Em estruturas convencionais, uma vez que o invasor rompe a primeira camada de defesa, ele encontra um caminho livre para circular por todo o sistema.
O fim do retratoestático
A prática de realizar um pentest (teste de intrusão) anual tornou-se obsoleta diante da velocidade do modelo DevOps (integração entre desenvolvimento e operações). Em infraestruturas que mudam diariamente, um relatório de vulnerabilidades estático perde a validade em pouco tempo.
“O pentest anual virou praticamente um snapshot (registro instantâneo) de um ambiente que muda o tempo todo. Você valida um cenário hoje, mas amanhã já subiu um novo volume de trabalho ou mudou uma regra, e aquele teste já não reflete mais a realidade”, afirma Lucas Mikaese, analista de cibersegurança da CyberGate.
Segundo o especialista, o firewall de borda permanece relevante, mas protege um perímetro que deixou de existir fisicamente. Com o uso de nuvem e serviços SaaS (software como serviço), o ataque frequentemente começa com uma credencial legítima, ignorando as barreiras de entrada.
A fragilidade da rede plana
No setor, utiliza-se o termo “rede de vidro” para descrever ambientes onde o invasor, após o acesso inicial, consegue enxergar e alcançar quase todos os ativos da empresa. Essa arquitetura facilita a descoberta de dados sensíveis e a elevação de privilégios de acesso.
A microssegmentação surge como a ferramenta para isolar esses compartimentos. Diferente da segmentação de rede comum, ela controla a comunicação de forma granular, baseada na identidade de cada processo e no contexto da operação.
“Mesmo que o atacante entre, ele não consegue se mover livremente. Cada tentativa de movimentação lateral bate em uma política. Isso reduz o raio de destruição e impede que um incidente vire um desastre”, diz Mikaese.
Validação por simulação
Para garantir que as barreiras de isolamento funcionem ininterruptamente, a CyberGate defende o uso de BAS (Breach and Attack Simulation, ou simulação de brecha e ataque). A ferramenta executasimulações automáticas para testar os caminhos que um criminoso usaria na prática.
A metodologia permite que o gestor de segurança abandone o campo das suposições. O sistema responde se as políticas de bloqueio estão ativas e se novas atualizações de programa (software) abriram brechas imprevistas.
Gestão estratégica
Essa abordagem altera a função do CISO (diretor de segurança da informação), que deixa de atuar como um “bombeiro” digital focado em apagar incêndios. Com a combinação de validação contínua e microssegmentação, a prioridade passa a ser o bloqueio de caminhos reais de ataque.
O resultado é a redução do volume de alertas irrelevantes e a concentração de esforços em cenários que representam risco crítico à operação. A defesa deixa de ser uma reação ao imprevisto para se tornar uma gestão de exposição baseada em evidências