
Um design estratégico dos processos de segurança de rede é uma boa forma de definir uma arquitetura de segurança cibernética. A arquitetura envolve princípios de design, regras para integração de aplicativos e elementos do sistema para defesa contra ameaças cibernéticas.
Para um projeto de arquitetura de segurança de rede bem ajustado, é necessário aplicar os pilares da segurança da informação, garantindo os objetivos do negócio. Segundo a Deloitte, 70% dos CEOs enxergam a cibersegurança como fator-chave para a confiança de investidores.
Estruturas de segurança bem desenhadas fortalecem essa confiança, impactando diretamente o sucesso e a continuidade dos negócios.
Neste artigo, vamos explorar a tríade da segurança da informação e sua aplicação prática para garantir a continuidade das operações e estabelecer uma arquitetura de segurança sólida.
Continue lendo para descobrir.
De volta ao básico: o que é a Segurança da Informação?
A segurança da informação, ou InfoSec, na abreviação em inglês, busca proteger informações e preservar seu valor para pessoas e organizações. O núcleo dessa disciplina é a tríade CID (CIA, em inglês) — Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade —, princípios básicos que constituem a base de uma arquitetura de segurança sólida.
Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade
Esses três princípios básicos da segurança da informação garantem a proteção abrangente dos dados. A seguir, exploramos cada um deles e como são aplicados na construção de uma arquitetura de segurança eficaz.
Confidencialidade: garantindo a privacidade das informações
A confidencialidade é princípio que garante que as informações estejam disponíveis apenas para as partes autorizadas. Mas, como podemos aplicar esse princípio em uma realidade digital como a que vivemos? Controlando os acessos, aplicando criptografia e mecanismos de autenticação de usuários.
A criptografia é aplicada para que os dados fiquem não identificáveis, tanto em trânsito quanto em repouso, para quem não tem autorização para acessá-los, o que garante que, mesmo se interceptados, os dados permaneçam ilegíveis sem a chave de decriptação correta.
Já o controle de acesso é aplicado por meio de boas políticas de autenticação (senhas fortes, autenticação multifator) e autorização (definição de permissões e privilégios com base na necessidade de acesso), restringindo quem pode acessar recursos específicos.
A confidencialidade é o primeiro pilar da CIA porque é a garantia de que as informações serão organizadas conforme a necessidade de acesso e a sensibilidade dos dados.
Integridade: mantendo a precisão dos dados
Uma vez que os dados estejam disponíveis apenas para as partes autorizadas, é essencial assegurar que eles não sejam corrompidos, adulterados ou afetados.
Garantir a integridade significa que os dados não podem ser alterados ou destruídos, seja durante a transmissão ou no armazenamento. Um dos princípios-chave para manter a integridade é o conceito de não-repúdio — também conhecido como a incapacidade de negar um fato material. Para manter a integridade, políticas devem ser aplicadas, assegurando que os usuários saibam como utilizar adequadamente seu sistema.
O princípio da integridade é a proteção dos dados contra modificações não intencionais ou maliciosas, que podem comprometer a precisão e confiabilidade deles. Neste aspecto, as funções de hash criptográficas, como SHA-256, podem ser utilizadas para gerar uma impressão digital única dos dados. Ao recalcular o hash e compará-lo com o valor original, é possível verificar se os dados foram modificados.
Outro exemplo de estratégia para manter a integridade são as assinaturas digitais, uma combinação de criptografia assimétrica com hashing para assegurar que os dados não foram alterados desde que a assinatura foi criada, além de identificar o autor original.
Definições de permissões detalhadas que limitam quem pode criar, modificar ou deletar dados também podem ser uma estratégia. Para isso, ferramentas de controle de versões, como sistemas de gestão de configuração, podem ser utilizadas.
Manter a integridade dos dados de uma empresa evita o uso indevido de credenciais, ajudando a manter os dados seguros e a reputação do negócio protegida.
Disponibilidade: assegurando o acesso contínuo ao sistema
O último pilar da CIA é a disponibilidade, que é o princípio que assegura que os sistemas, serviços e dados estejam acessíveis e operacionais sempre que necessários, minimizando interrupções. Para isso, é necessário proteger os dados contra códigos maliciosos, cibercriminosos e outras ameaças que podem bloquear o acesso ao sistema de informação.
Neste caso, é necessário trabalhar alguns caminhos, como a redundância da infraestrutura, através da utilização de servidores, storages, links de rede e outros componentes em configuração de failover, alta disponibilidade, redundância ou contingência, capazes de garantir continuidade em caso de falha.
Outra estratégia é o balanceamento de carga, a distribuição de tráfego entre vários servidores para evitar sobrecargas e melhorar a eficiência operacional. E, claro, a definição de parâmetros para garantir níveis mínimos de desempenho e disponibilidade, que podem ser colocados em contratos de SLA.
A disponibilidade é o último pilar na tríade da InfoSec porque suas práticas garantem que os serviços de uma empresa estejam acessíveis sem comprometer outros aspectos da segurança, como confidencialidade e integridade.
Como a CIA se aplica a arquitetura de cibersegurança em um negócio?
Uma vez que compreendemos cada pilar da tríade da InfoSec, é muito importante entender que sua aplicação precisa valorizar os objetivos do negócio, garantindo a continuidade da operação, a resiliência cibernética e a reputação da empresa.
O objetivo da arquitetura de segurança cibernética é minimizar o risco gerado por ameaças de segurança, garantir que os dados estejam seguros, ajudar na escalabilidade dos processos e possibilitar a conformidade.
Por essa razão, os próximos pontos do artigo são dedicados a uma explicação que explica sobre como cada componente do modelo se aplica à construção de uma arquitetura de segurança robusta e alinhada às necessidades específicas da organização.
Confidencialidade: refere-se à proteção das informações contra acessos não autorizados. Para aplicar esse primeiro pilar em uma arquitetura de rede segmentada, os dados sensíveis devem ser mantidos isolados de sistemas menos críticos.
Isso pode ser feito através de firewalls, segmentação de redes e o uso de redes locais virtuais (VLANs). Além disso, a confidencialidade pode ser reforçada com o uso de técnicas de controle de acesso, como role-based access control (RBAC) e o least privilege – princípio do privilégio mínimo – para garantir que apenas indivíduos ou sistemas autorizados possam acessar informações sensíveis.
Lembre-se: trabalhar bem a confidencialidade é fortalecer toda a estratégia da segurança, afinal evitar acessos não autorizados é o início de tudo.
Integridade: garante que as informações e os sistemas se mantenham precisos e não sejam alterados, e pode aplicado com o uso de hashing (como citamos anteriormente) para verificar a autenticidade de arquivos e assegurar que as transações e os registros de log não foram modificados.
Soluções como SIEM também são importantes para detectar violações de integridade, monitorando alterações anômalas em dados ou configurações.
Uma vez que os dados estejam seguros contra acessos não autorizados, eles precisam permanecer íntegros, inalterados, o que implica no monitoramento contínuo até mesmo de usuários autorizados.
Disponibilidade: garantia de que os sistemas e as informações estejam acessíveis e funcionais para os usuários autorizados quando necessário, minimizando o tempo de inatividade. Além de utilizar servidores em cluster, balanceadores de carga, também é possível lançar mão de estratégias de failover para assegurar que, mesmo em caso de falha de um componente, o sistema permaneça operacional.
Alguns exemplos de ferramentas de monitoramento de rede como Nagios ou Zabbix podem ser úteis, pois permitem detectar falhas em tempo real, enquanto soluções de DDoS mitigation, como Cloudflare ou AWS Shield, podem ajudar a manter a disponibilidade mesmo durante a ocorrência de um ataque cibernético.
Dicas e estratégicas para uma arquitetura de cibersegurança que valorize o negócio
Além dessas dicas ligadas às estratégias e às práticas dos pilares do CIA para arquitetura da rede, é importante saber como alinhá-las aos objetivos do negócio, o que começa com a identificação dos ativos de informação críticos para o negócio, tais como dados financeiros, informações de clientes, propriedade intelectual e sistemas operacionais.
A quantificação e priorização desses ativos mudam de acordo com cada empresa; por isso, é importante entender a sua realidade. Procure conhecer quais informações que, se comprometidas, causariam maior impacto negativo ao negócio. E quais sistemas são essenciais para as operações contínuas.
Esses dois pontos podem auxiliar no alinhamento com objetivos estratégicos da empresa.
Outro aspecto importante é avaliar e entender os riscos que ameaçam a segurança dos dados. Isso significa executar um mapeamento que considere ataques externos, falhas internas e interrupções operacionais. Utilizar frameworks de avaliação de risco como NIST Risk Management Framework (RMF) ou ISO/IEC 27005 pode ajudar nesse processo de identificação de vulnerabilidades.
Com um perfil sobre os riscos em mãos fica mais fácil definir onde focar os recursos de segurança da empresa.
Após definir a quantidade, avaliar os riscos é importante para desenvolver um plano para uma arquitetura que enderece diretamente as necessidades de confidencialidade, integridade e disponibilidade dos ativos críticos, ajustada aos riscos identificados.
Para trabalhar a confidencialidade é interessante implementar medidas de segurança para garantir que as informações confidenciais sejam acessíveis apenas para usuários e sistemas autorizados. Esse controle pode ser aplicado com políticas de controle de acesso (RBAC), autenticação multifator (MFA) e segregação de redes. Tais medidas ajudam na proteção dos dados sensíveis de clientes e evitar violações de conformidade com as legislações e regulamentos.
Para garantir a integridade, implemente mecanismos para garantir que os dados e sistemas não sejam manipulados ou corrompidos de maneira não autorizada. Isso pode ser feito com aplicação de hashing para verificar a integridade de arquivos, assinaturas digitais, registros imutáveis e sistemas de monitoramento contínuo.
Essas estratégias permitem que as transações financeiras ou registros de clientes não sejam adulterados, preservando a confiança na integridade das operações da empresa.
Já as estratégias de redundância e recuperação garantem que os sistemas essenciais permaneçam íntegros, mesmo em situações adversas, minimizando o tempo de inatividade, garantindo assim a continuidade operacional, o que é essencial para o atendimento de clientes e suporte à receita.
E, claro, ao implementar os controles de segurança na arquitetura de cibersegurança, é necessário considerar o desenvolvimento e a integração desses controles nas operações da empresa, focando na compatibilidade com os fluxos de trabalho existentes e nas metas de negócios.
Isso significa criar uma arquitetura flexível que permita à empresa escalar e evoluir sem comprometer a segurança. Essas dicas podem nortear suas estratégias e a tomada de decisão para implementação e melhoria de arquitetura de cibersegurança, que devem estar sempre alinhadas aos objetivos do negócio para garantir a continuidade das operações, a resiliência cibernética e a reputação da empresa.
Tríade da CIA: apenas o começo em sua estratégia de segurança
O que apresentamos aqui é apenas um pequeno guia que pode nortear sua compreensão sobre os pilares da InfoSec e como eles se aplicam de forma estratégica à arquitetura de segurança de rede. Além dos três pilares que apresentamos aqui, é importante considerar a segurança em cada etapa e processo do negócio e não apenas como uma fechadura na porta.
Também ressaltamos que, apesar da tríade da CIA ser um conceito fundamental em segurança, ela deve ser complementada com princípios e estruturas adicionais para abordar a natureza complexa, e em evolução, das ameaças à segurança. Atualmente, a comunidade de segurança reconheceu a necessidade de um modelo de segurança mais abrangente e adaptável.
A arquitetura de cybersecurity é um design, mas também é parte de uma estrutura bem mais ampla e complexa, a InfoSec. Se você deseja conhecer outros contornos e mergulhar em mais linhas do setor, confira outros artigos do blog, clicando aqui.
